DEBATE DA UEMA: fúria e vazio VS. serenidade e responsabilidade.
O debate promovido pela associação de professores da universidade estadual do maranhão- UEMA, nessa quinta, 04 de agosto de 2008, foi marcado por raviver de movimento estudantil. Nesse particular o candidato do PSOL foi imbatível. Em berros, o candidato do PSOL atacou todos os candidatos "de direita". Taxou os demais candidatos de aliados das velhas e novas oligarquias. Porém, não respondeu todas as perguntas que lhe foram dirigidas, a exemplo da que lhe pedia para dizer como iria resolver a questão do lixo (aterro), saúde (atendimento), o alto preço da passagem (transporte coletivo), saneamento e abastecimento de água (CAEMA).
O candidato Pedro Fernandes dirigiu sua fala para a questão da geração de renda, não fez ataque a nenhum dos candidatos presentes ou ausentes (Castelo, Cutrim, Gastão Vieira, Clodomir Paz) e desafiou os outros candidatos a provarem qualquer irregularidade no trato da coisa pública.
O candidato do PSTU buscou demarcar as candidaturas do campo da esquerda e as candidaturas do campo da direita, segundo sua classificação só há duas candidaturas de esquerda (PSTU e PSOL). Lembrou que a intenção do PSTU é construir o socialismo globalmente.
O candidato Waldir Maranhão fez um discurso genérico sobre a importância da educação no processo de formação da pessoa humana, não fez críticas a nenhum dos demais candidatos. Sua crítica foi direcionada à construção do prédio da Assembléia dentro do Parque do Rangedor.
O candidato Flávio Dino começou respondendo aos ataques feitos pelo candidato do PSOL e criticando a postura do mesmo. Flávio fez um discurso chamando a atenção para os graves problemas que a população de São Luís enfrenta. Com firmeza lembrou o que significa a candidatura de Castelo e seu envolvimento com as forças antidemocráticas. Reforçou seu alinhamento com o Governo Lula e sua determinação de fazer São Luís uma cidade melhor para se viver.
Enfim, à esquerda foi possível ver três tons: 1- fúria e vazio; 2- equilíbrio, mas falta de propostas de governo de coisa pública; 3- responsabilidade e serenidade (os três de esquerda). À direita, divagações e generalidades, mas o respeito e a cordialidade foram mantidos (os dois candidatos presentes).
Além disso, foi a AUSÊNCIA de Clodomir Paz, Castelo, Cutrim e Gastão Vieira.
AGORA VAI OU AGORA JÁ FOI?
A continuidade da candidatura de João Castelo reflete o entendimento dos mortais cidadãos que, com a consciência prática, estabeleceram um parâmetro muito simples, mas com significado moral: “se os denunciados e suspeitos de roubarem o dinheiro público podem se candidatar, por que Castelo que tem apenas uma dívida de multa não pode?”. Não é nenhuma grandiosa fundamentação doutrinária e jurisprudencial etc., mas equaciona o dano, o valor do dano e reflete o sentido e significado dos quem têm legitimidade para dizer quem pode ou não ocupar os postos de governo. Efetivada através de um mecanismo simples, o voto.
Retirar a candidatura de Castelo, via ação judicial, seria potencializar ao cubo sua força eleitoral. Na condição de vítima passaria facilmente para a condição de mártir. As eleições deixariam a condição de competição e passaria a uma unção. Ele poderia indicar um “jumento (a)” para “concorrer” e o animal ganhar facilmente as eleições. Melhor assim. Mesmo que isso já signifique um “agora já foi”.
Castelo, além de liderar as pesquisas, está com um índice de rejeição baixo e não sofre ataques significativos dos seus principais concorrentes. Ele caminha solto e sem ataques significativos. Dispensando um discurso brilhante e intelectualizado, faz um discurso útil: claro, compreensivo e pontuado sobre o que a massa dos eleitores espera e deseja. Fala das necessidades e encena como vai fazer. É um candidato que no passado só fez e que no futuro só vai fazer. Ele não se perde em formulações abstratas e recheadas de herméticas conceituações. A par disso, ele é hoje o candidato de quase todos os candidatos e grupos políticos poderosos do Maranhão, seja qual for o fundamento da adesão. Está blindado pelos múltiplos interesses e conveniências.
Se as campanhas dos adversários não forem melhoradas, se não existir uma oposição mais sistemática e incisiva, se propostas não forem apresentadas claramente e objetivamente, tratando de necessidades prioritárias da população e se o fez e o faz não forem criticados e avaliados a partir de princípios democráticos e republicanos, o pleito termina em uma única votação. Aí... já foi!

O SANTO PRETO E SUA MÁSCARA BRANCA
Ontem (31 de agosto) foi realizada a procissão de São Raimundo Nonato dos Mulundus, cidade de Vargem Grande (MA). O que pode parecer de imediato apenas a manifestação de fé de católicos, que valorizam seus homens santos, carrega uma polifonia étnica e uma correlação de forças entre o poder instituído pelo clero e a fé viva e livre, dinâmica e não-discriminatória das comunidades do sertão. O que se ver é um ethos resiste e ainda mostra vitalidade. Indaguei um senhor na frente da igreja sobre a história do santo e ele foi categórico: “acharam o vaqueiro Raimundo morto no pé de uma canaúba, lá em Mulundus. Os padres levaram o corpo dele e trouxeram essa imagem, mas esse aí não faz milagre, quem faz é o outro. Essa imagem é... uma capa”. A memória social não se deixou mutilar. O Santo é o santo vaqueiro, mesmo que Roma tenha enviado uma imagem do São Raimundo oficial, que além de branco ainda foi bispo.
Nota-se claramente, no painel de azulejos do altar mor, a dualidade e a resistência da do Raimundo de Mulundus, vaqueiro, e Raimundo de Roma. Raimundo vaqueiro resiste, mesmo quando o artista inclui o Raimundo de Roma num cenário que lhe é estranho. A faixa branca sobre a imagem de um negro flechado não apaga a fé do povo em sua própria imagem. Lição de que nenhum poder é total e sempre a um limite ao dominador, assim como sempre há como o dominado transgredir.
A KOMBI DA CAMPANHA
Parece brincadeira, mas indiferentes ao Código de Trânsito e carregando a certeza da não púnição essa Kombi circulava pela Chácara Brasil abarrotada de gente e de material de campanha. Seria até engraçado se não fosse trágico. Como sardinhas os trabalhadores eleitorais eram conduzidos.
O período eleitoral é significativo em todos os sentidos: material, simbólico, instrumental, ideal e simbólico. Nesses momentos a cara da política pulsa e fica mais difícil separa o ideal do real. O que tange as regras e o que tange as práticas. Elas não só se imbricam como também encenam disjunções. Como bem lembra Sartori ao falar de política pacífica e política belicosa, “a pessoa que se esquece da política-como-guerra não tem como apreciar a política-como-paz. Esta última só é devidamente apreciada quando é compreendida – à luz deste contraste - como uma vitória difícil e nunca definitiva das leis do direito sobre a lei da força.”
A kombi da campanha é expressão dessa tensão entre uma legalidade pacificadora e o conflito/a disputa que tende ir para além do legal. Reflete também um pouco do que somos enquanto ethos político. A Kombi, na verdade, estava cheia de vários aspectos da nossa cultura política: eleitores sem partidos, partidos sem partidários, candidatos sem vínculos, militância paga, programas elaborados sem nenhum estudo e diagnóstico das prioridades etc, etc. É a Kombi, velha, mas útil para uns serviçozinhos. Isto é, uma máquina e um estatuto velho, mas útil enquanto realizadores de interesses, mais particulares do que públicos.
DA UEMA PARA O MUNDO
Os dois últimos candidatos na preferência popular (segundo pesquisa ibope/o estado do maranhão) são: Waldir Maranhão e Paulo Rios. O funcionário do TRT, Paulo Rios (PSOL) esteve professor na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA durante um período, o que coincidiu com o período de reitorado de Waldir Maranhão. Dentro dos muros da UEMA Paulo Rios comandava um grupo contrário ao reitor Waldir Maranhão. Por força da história ambos se reencontram no espaço bem maior e em disputa direta pelo último lugar na preferência do eleitorado. Apesar do empate em 0% na última colocação, Paulo Rios tem superior vantagem quanto ao item REJEIÇÃO, pois nesse quesito lidera com folgada, registrando nada menos que 24% na opinião popular. Em geral, os rejeitados não são desconhecidos. Outro dado importante é que o PSTU cresceu 1% retirando de cena Marcos Silva.
As omissões estão sempre presentes nessas divulgações de pesquisas de opinião. Os comentadores do jornal não destacam que há empate técnico entre Cléber Verde (7%) e o candidato do PDT (11%), tendo em vista que a margem de erro é 4% para mais ou para menos. O mesmo raciocínio pode ser feito em relação a Cléber Verde (7%) e Flávio Dino (4%).
Outro ponto não mencionado é que Castelo ganharia em primeiro turno com folga, mesmo que os “não sabe/não responderam” (13%) votassem em massivamente contra ele.
DENÚNCIA É SEMPRE BAIXARIA?
É um equívoco jogar todas as denúncias no fosso da baixaria. Baixaria é ocupar o espaço do debate público para falar inverdades, caluniar, difamar e propalar infâmia. Baixaria é se devotar aos aspectos da vida particular e privada de alguém no horário eleitoral gratuito. Principalmente com discurso pseudo-moralista. Mas não é baixaria denunciar abuso e desvios de recursos públicos, descaso com a coisa pública e enriquecimento ilícito. Não denunciar a usurpação do erário público no espaço público do debate é omissão e cumplicidade. Todo cidadão que ocupa função pública, cargo público tem dever público de explicação e justificação. Assume a responsabilidade de cuidado com os negócios públicos, a coisa pública. Todos os cidadãos têm a responsabilidade de vigiar e cuidar das coisas públicas. Candidato a cargo político que sabe de atos de corrupção e de ilicitudes contra a coisa pública assume a condição de omissão cúmplice, no mínimo.
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