foto: Francisco Araujo
NERVOS DE AÇO E SANGUE PURO BANDEIRANTE
Quando por aqui uma minúscula elite “letrada” lia Homero e empurravam alguns de seus filhos para os círculos intelectuais da Europa, os Bandeirantes avançavam mata adentro, carregando à mão a espada e o bacamarte. Encontraram ouro, tornaram os aborígenes cativos ou os dizimaram, limparam o chão e deixaram abertos os caminhos por onde foram se formando redes de comunicação e comércio. Tudo na base do sangue, suor e lucro. Muitos nem falavam português, só conheciam a língua geral (Nheengatu).
Enquanto isso, a filharada da elite maranhense se "polia" nos devaneios literarários. Esse "empreendimento" só serviu, posteriormente, como discurso performativo para inflar o mito da Atenas Brasileira. No final das contas essa "empresa" não resultou em nenhuma conquista significativa para o povo maranhense, tão pouco para sua posteridade. Vide a discrepância atual entre São Paulo e o Maranhão. É certo que "n" fatores precisam ainda ser considerado nesse processo de produção do Maranhão miserável, mas a diferença dos ethos é um componente importantíssimo para se pensar essa diferença existente. O ethos paulista, que chamo de sangue bandeirante, pode ser sintetizado nas palavras de Bartolomeu Bueno, o Anhanguera (diabo velho):
“ACHAREI O QUE PROCURO OU MORREREI NA EMPRESA”.
Nesse particular vejo o governador José Serra como um bandeirante sangue puro, sangue que combina muito bem com os seus nervos de aço. Serra espera, calculadamente, o que procura agora: a desistência de Aécio Neves à vaga de candidato do PSDB à presidência da república. Depois certamente vai querer achar o que procura no mais puro estilo... anhanguera!
A greve na CAEMA, segundo o Sr. Ricardo, acabou. Apesar da importância da sua importância, não recebeu a devida atenção dos blogs “independentes”. Essa manifestação foi importante porque escancara a similitude das oligarquias maranhenses e a precária condição da cidadania no Maranhão. A grave situação do abastecimento de água da nossa capital é fruto de um descaso de muitas décadas. Como se já não bastasse o fornecimento irregular de água em dias normais de funcionamento da empresa, uma greve na CAEMA parece algo extravagante. Porém, a reivindicação dos funcionários pela implantação do plano de cargos e salários (PCS) é legítima. Hoje receberam a promessa que o PCS vai ser implantado em maio e um abono de 100 no “tiquete”.
A CAEMA tem um monte de consumidores inadimplentes, não tem como aumentar seu faturamento porque não tem como oferecer em maior volume o seu produto: água. Sem ter água para oferecer aos consumidores, o consumo permanece na mesma. Por outro lado o que arrecada já está em parte comprometido com a manutenção do que tem e com a folha de pagamento. Torna-se necessário baixar a inadimplência, oferecer atendimento de qualidade, regularizar o fornecimento de água. Sem isso não vai aumentar seu faturamento. Mas isso demanda por investimento na captação, tratamento e distribuição da água.
Hoje na CAEMA falta até engenheiros ou quem saiba sobre as bombas do Italuis.
A tubulação do sistema Italuis não tem recebido a devida manutenção e tem apresentado problemas em vários trechos, tudo fruto do descaso.
No entanto, a CAEMA é altamente eficiente enquanto fonte de manutenção dos esquemas oligárquicos, é por ela que se alimenta todo uma rede de apadrinhamento, clientelismo e repasse de verbas... No esquema de pingo em pingo, centenas de contratos (de pessoal) são estabelecidos e por aí são cheias as caixas (d’águas) dos partidos e das campanhas.
Nessa empresa a conciliação oligárquica se efetivou, sem alardes, durante todo o governo Lago. As empresas que atuavam na CAEMA durante o governo Lago permaneceram, só mudaram o nome de fantasia para "voltar ao trabalho". Agora atuam de maneira bem mais confortál, é certo, mas estavam "bombando" nas águas dos Lagos, mesmo seus donos pertencendo à oligarquia-mor. Com isso fica claro que o sistema de abastecimento de água só não tem eficiência para garantir água e esgoto aos cidadãos, mas é perfeita aos esquemas das oligarquias. Todos bebem dessa fonte... e em espécie. É o milagre oligárquico da transformação da água!!!!
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